Mulheres Indígenas Educadoras
Saberes Ancestrais e o Bem Viver na Educação com Cristine Takuá
Através de uma profunda crítica à “monocultura mental” do sistema de ensino tradicional, a filósofa e educadora indígena Cristine Takuá apresenta o movimento Escolas Vivas como uma semente de decolonização e cura para a sociedade. A publicação compila encontros e entrevistas essenciais onde a pensadora defende o território e a floresta como salas de aula legítimas, propondo o acordamento de memórias ancestrais que o colonialismo tentou apagar. O texto costura temas urgentes como os direitos da natureza, o resgate do silêncio sagrado e a preservação das águas da Mata Atlântica contra o avanço do ecocídio.
Assista à aula aberta com a filósofa e educadora indígena Cristine Takuá, uma reflexão profunda sobre saberes ancestrais, infância, território e os desafios da descolonização da educação contemporânea. Realizada pela Fundação Itaú e pela Escola Superior de Artes Célia Helena, a aula convida o público a conhecer o conceito de “Bem Viver” (32:15) como uma alternativa para repensar as relações entre seres humanos, natureza e comunidade.
A partir de sua trajetória como educadora e coordenadora do movimento Escolas Vivas (19:02), Cristine propõe uma revisão crítica dos currículos escolares tradicionais (20:01), questionando modelos de ensino centrados exclusivamente na perspectiva ocidental. Em sua abordagem, a floresta e o território emergem como espaços legítimos de produção de conhecimento e aprendizagem (20:08), reafirmando a importância dos saberes indígenas para a construção de práticas educacionais mais plurais, sensíveis e conectadas à vida..
“Tentaram fazer as nossas memórias serem apagadas, mas eu insisto sempre em dizer que memória não morre, memória não queima, memória nunca acaba.”
Cristine Takuá
Índice Cronológico
- 04:28 — Abertura institucional e a pluralidade no Mestrado em Artes da Cena.
- 08:36 — Apresentação e introdução à fala da filósofa Cristine Takuá.
- 13:21 — Trajetória de Cristine Takuá e a atuação na Associação Selvagem.
- 17:14 — A reverência e resistência da Mata Atlântica (Nhe’ery).
- 19:02 — Crítica à escolarização tradicional e o apagamento das memórias indígenas.
- 22:02 — Epistemologias e estéticas indígenas ignoradas pela academia ocidental.
- 24:34 — Inteligência Artificial vs. Inteligências Ancestrais e a telepatia do sonho.
- 26:10 — A fundação do Museu das Culturas Indígenas (Tauan).
- 31:16 — O saber sem letras de nossas avós e a semente do Bem Viver.
- 34:48 — Exibição do curta-metragem poético “A Fera e a Esfera” (Flecha 7).
- 44:18 — Apresentação visual da rede de territórios das Escolas Vivas no Brasil.
- 50:02 — Centro de Medicinas Indígenas de Manaus e a crítica à medicalização ocidental.
- 55:04 — O esvaziamento de sentido nos currículos e o direito das crianças de sonhar.
- 57:37 — O Sol Sagrado nas cosmovisões indígenas contra a perspectiva didática tradicional.
- 1:03:05 — A importância espiritual da Casa de Reza (OP) como espaço de cura e afeto.
- 1:09:15 — Debates sobre a mercantilização do tempo e a crise na educação escolar de tempo integral.
- 1:17:46 — O apagamento da fauna nativa brasileira nas cartilhas de alfabetização infantil.
- 1:21:47 — Movimentos de mulheres indígenas contra as estruturas do patriarcado e do machismo.
- 1:27:16 — É possível viver o Bem Viver nas cidades? Rios ocultos e resistência no asfalto.
- 1:35:47 — A sacralidade das mãos: a arte do fazer, a bioconstrução e o parto tradicional.
- 1:40:39 — O impacto violento do assistencialismo religioso e da evangelização nas aldeias.
- 1:48:00 — Considerações finais e o convite à decolonização mental na Casa da Transformação.
Cristine Takuá: O Despertar da Memória Viva e o Território como Escola
Assista à entrevista exclusiva com a filósofa e educadora indígena Cristine Takuá, realizada na Terra Indígena Rio Silveira, em uma conversa conduzida pela jornalista Paulina Chamorro. Em meio à riqueza ambiental e cultural do território, Cristine compartilha reflexões profundas sobre educação, ancestralidade e os desafios impostos pela crise socioambiental contemporânea.
Ao abordar o movimento das Escolas Vivas, ela apresenta a iniciativa como uma estratégia de resistência à “monocultura mental” (2:14) herdada dos processos de colonização, defendendo a valorização da diversidade de saberes, culturas e formas de existência. Ao longo da entrevista, reforça a compreensão de que natureza e cultura constituem dimensões inseparáveis de uma mesma rede de vida (1:32), destacando a importância da reconexão com os conhecimentos ancestrais e com a sabedoria das plantas mestras para a construção de um futuro mais equilibrado e sustentável.
Todo espaço onde nós vivemos é sala de aula: debaixo do rio, na beira do rio, debaixo da árvore. Todos os lugares são espaços de transmitir conhecimento.”
Cristine Takuá
Índice Cronológico
- 00:04 — Apresentação de Cristine Takuá como semeadora, mãe e aprendiz de parteira.
- 01:44 — Crítica à formatação violenta das mentes infantis e o projeto de escolarização global.
- 03:12 — O surgimento e os pilares do movimento das Escolas Vivas.
- 04:00 — O acordamento das memórias tradicionais e a sabedoria das parteiras e raizeiras.
- 05:41 — A biblioteca viva da floresta e o território inteiro concebido como sala de aula.
- 08:12 — Tecó Porã: a diferença entre a boa forma de estar na terra e o “viver bem” capitalista.
- 09:47 — A dor do conflito territorial e as barreiras para acessar a soberania alimentar.
- 11:15 — A crise na educação mundial e a ausência de uma “receita de bolo” institucional.
- 13:24 — O diálogo existencial com as plantas mestras como cura e blindagem para a alma.
- 16:05 — O perigo das armadilhas tecnológicas e das redes virtuais para a juventude indígena.
- 17:38 — A anemia da alma: o esvaziamento das visões e a importância cósmica de voltar a sonhar.
- 19:20 — A coletividade ferida, disputas de poder locais e a cooperação das formigas e abelhas.
- 21:43 — A Casa de Reza (OP) como hospital comunitário e espaço de tramas afetivas.
- 24:21 — Vivendo sob um calendário unificado e colonial imposto sobre as dinâmicas naturais.
- 25:05 — Foco no presente: a responsabilidade de semear o agora para guiar as novas gerações.
- 26:57 — O crime de ecocídio no Litoral Norte e o imperativo dos Direitos da Natureza.
- 28:30 — Casa da Transformação (Taua): agir com urgência contra a mercantilização do clima.
Ser Indígena e os Desafios da Educação Escolar com Cristine Takuá
Conheça os desafios e as potencialidades da educação escolar indígena Guarani nesta produção da Siriema Arte e Cultura, que apresenta um panorama da realidade educacional e demográfica da Terra Indígena Rio Silveira (0:22). O episódio destaca as diferenças entre os processos tradicionais de transmissão de conhecimento e as exigências do sistema formal de ensino, evidenciando os impactos dessas dinâmicas no cotidiano das comunidades.
Em um depoimento reflexivo, Cristine Takuá analisa os principais obstáculos enfrentados pelas escolas indígenas, abordando questões como a ausência de materiais didáticos alinhados aos contextos culturais e territoriais locais (10:23). A educadora também chama atenção para os desafios impostos pelas estruturas burocráticas da educação formal, muitas vezes incompatíveis com os tempos, ritmos e práticas de aprendizagem conduzidas pelos anciões e pelas tradições comunitárias (2:57). O resultado é uma reflexão importante sobre a construção de modelos educacionais mais sensíveis à diversidade cultural e aos saberes indígenas.
“Estar vivo significa você sonhar, você ter essa visão maior e também desenvolver essa sensível possibilidade de dialogar com a montanha, com o vento, com as formigas, com tudo que te rodeia.”
Cristine Takuá
Índice Cronológico
- 00:22 — Dados geográficos, demografia e preservação cultural da TI Rio Silveira.
- 01:35 — A divisão das escolas entre as redes pública municipal e estadual.
- 02:07 — Infraestrutura escolar, salas em containers e o rodízio de horários dos alunos.
- 02:40 — O corpo docente da aldeia: o papel dos educadores indígenas e dos professores externos.
- 08:43 — A busca por autonomia jurídica e a criação de associações escolares para captação de recursos.
- 09:44 — A escassez crônica de material didático em Sociologia, História e Filosofia para o Ensino Médio.
- 10:30 — O choque cultural de professores de fora que reduzem a escola a meras apresentações festivas.
- 11:34 — A saída de lideranças históricas e a perda de energia vital no espírito da escola.
- 13:40 — O dilema metodológico do uso dos cantos e músicas tradicionais na sala de aula.
- 14:38 — Uma infância sem grades: a defesa do tempo de brincar para crianças de 4 a 6 anos.
- 15:15 — O peso violento da imposição da alfabetização alfabética e da língua portuguesa.
- 16:09 — Relato pessoal: os desafios de aprendizagem e o bilinguismo no desenvolvimento de seu filho.
- 17:52 — Estatísticas populacionais dos povos originários e dados linguísticos oficiais do Brasil (IBGE).
- 19:00 — Troncos e famílias linguísticas: a língua como patrimônio cultural indissociável do pensamento.
- 21:09 — A rigidez dos padrões de informação e os muros de avaliação da universidade ocidental.
- 22:51 — A imposição da palavra verbalizada sobre outras linguagens expressivas e artísticas.
- 24:08 — Angústias da censura política interna e o esvaziamento do prazer de lecionar no modelo estatal.
- 25:45 — Roçados tradicionais e sementes ancestrais como uma “biblioteca viva” fora da sala de aula.
- 29:29 — A pesquisa cartográfica da qualidade das águas dos rios locais da TI Rio Silveira.
- 31:30 — Dinheiro do pré-sal vs. falta de saneamento básico: esgoto despejado nas porteiras das aldeias.
- 33:05 — O colapso hídrico mapeado pelas universidades nos arredores das grandes reservas nacionais.
- 35:07 — Tecnologias ecológicas de baixo impacto: a aplicação e o uso de banheiros secos.
- 36:11 — Ativismo de base vs. palanques institucionais: por que escolhi a micropolítica cotidiana.
- 38:03 — Educação de consciência planetária: o boi, a soja e a nossa conivência com o estupro da terra.
- 41:13 — Crítica aos palanques vazios e a necessidade de criar refúgios e estratégias de sobrevivência.
- 43:18 — Encerramento musical poético: “A minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá…”.
Conversa Selvagem com Cristine Takuá, Carlos Papá e Ailton Krenak
Acompanhe um instigante diálogo promovido pelo ciclo de estudos Conversa Selvagem, que reúne importantes reflexões sobre cosmologias indígenas, a escuridão originária, a filosofia do silêncio no pensamento Guarani e os caminhos para a superação das epistemologias coloniais. Neste encontro, Cristine Takuá, Carlos Papá e Ailton Krenak compartilham perspectivas que ampliam o debate sobre diferentes formas de compreender o mundo e a existência (0:16).
A conversa marca também o lançamento do caderno do pensamento Guarani (1:27) e promove uma profunda reflexão decolonial sobre os impactos da lógica mercantil na relação entre sociedade e natureza (3:20). Ao longo do encontro, os participantes questionam a visão ocidental que associa a noite à ausência ou ao desconhecido (13:30) e destacam o valor do silêncio como uma prática de escuta profunda, atenção e conexão com a vida (31:29). O resultado é uma conversa potente sobre conhecimento, ancestralidade e a necessidade de repensar as bases culturais que orientam o mundo contemporâneo.
Índice Cronológico
- 00:00 — Abertura e apresentação da mesa de debates da Conversa Selvagem.
- 02:03 — Saudações iniciais e a celebração das poéticas que dão ânimo à vida.
- 03:12 — A velocidade cega da civilização industrial e a negação capitalista da noite.
- 04:39 — Apresentação e comemoração do lançamento do caderno de visões tradicionais de Carlos Papá.
- 05:20 — Ailton Krenak saúda a abertura dos muros duros das universidades públicas.
- 08:50 — Cristine Takuá compartilha o sonho com a tecelagem de fios e a organização dos livros.
- 10:13 — Os Cadernos Selvagens entram nos currículos acadêmicos de epistemologia da Unesp.
- 12:28 — A escuridão e a noite nas cosmovisões Guarani Mbya contra a lógica do Ocidente.
- 13:30 — O julgamento moral e religioso ocidental que associa as trevas e a floresta ao perigo.
- 15:15 — A noite eterna como a grande cápsula originária geradora de toda a existência.
- 16:34 — Carlos Papá declama sua poética existencial: “Eu queria ser cego para sentir o amor”.
- 18:49 — O escuro interior do organismo: os fluxos sanguíneos e os mistérios que não enxergamos.
- 21:02 — Eliane Potiguara e a narrativa mítica da noite trancada dentro de um coquinho.
- 22:14 — O útero e a placenta da mãe como o primeiro refúgio do escuro e do alimento.
- 24:12 — O portal dos sonhos: fechar os olhos para acessar o encantamento dos espíritos.
- 25:05 — Rompendo as epistemes coloniais: o debate sobre o abismo e o caos no Gênesis Cristão.
- 28:05 — A obsessão iluminista pelas vitrines e o farol ininterrupto dos shoppings de consumo.
- 29:15 — A perda da noção cíclica do tempo e as invasões corporativas durante o isolamento da pandemia.
- 29:58 — Nhandeva: a filosofia do silêncio como um profundo exercício de escuta coletiva.
- 31:55 — O preconceito moral que interpreta o silêncio Guarani como ausência de pensamento ou mudez.
- 33:25 — O silêncio exige esforço: a agonia dos gestores ocidentais diante da calmaria das salas de aula.
- 35:38 — A recusa da luz elétrica artificial nas vias da aldeia para proteger o passeio dos vagalumes.
- 37:20 — A profunda e invisível rede de comunicação ativada pelo silêncio coletivo na Casa de Reza.
- 38:49 — Rec.tyty (o Pulsar da Terra): o coração e os ritmos biológicos que sustentam a arte do fazer.
- 40:07 — O Festival Rec.tyty como uma memória gravadora que imortaliza a voz dos antepassados.
- 42:15 — A subversão do GPS colonial: mapeando as verdadeiras geografias míticas de São Paulo.
- 44:47 — “São Paulo é terra indígena”: carimbando a cidade e resgatando as memórias soterradas.
- 46:06 — Desconstruindo a cartografia administrativa: a Mata Atlântica e a transcendência do Nhe’ery.
- 47:31 — Por que o mar é sagrado? O banho espiritual dos rezadores Mbya longe dos biquínis de consumo.
- 51:20 — Plantas medicinais que brotam das rachaduras do concreto e resistem ao asfalto urbano.
- 53:04 — A fatiamento geopolítico do Tratado de Tordesilhas e as marcas administrativas sobre as florestas.
- 56:05 — A denúncia contra os ataques e fustigações do Instituto Florestal às comunidades Caiçaras na Juréia.
- 58:54 — Divulgação da programação do Festival Rec.tyty e o encerramento da Conversa Selvagem.

Além das Fronteiras: Conexões Globais sobre o Ecocídio
As postagens em destaque revelam dimensões inéditas do ecocídio: das lutas dos povos originários no Brasil às disputas jurídicas internacionais, passando por dados, histórias e reflexões que raramente chegam ao grande público. Navegue pelos conteúdos abaixo e descubra análises exclusivas que a Revista Digital Ecocídio preparou para ampliar seu olhar sobre um dos maiores desafios do nosso tempo.
Saberes Ancestrais e o Bem Viver na Educação com Cristine Takuá
Vanda Witoto: A Trajetória de uma Educadora Indígenas das Florestas para o Mundo
O Papel do Documentário Independente na Denúncia da Devastação Ambiental em Mianmar
A Gênese do Direito Ambiental: Do Controle de Fumaça à Tutela Penal da Biosfera
A Rota do Ar Limpo: Do Legado de Londres de 1952 à Criminalização do Ecocídio em Haia
O Grande Nevoeiro de Londres (1952), a Lei do Ar Limpo de 1956 e o Ecocídio
Mulheres Indígenas Educadoras
Vanda Witoto: A Trajetória de uma Educadora Indígenas das Florestas para o Mundo
Da Aldeia Colônia aos palcos de Harvard e Oxford, a trajetória da Professora Vanda Witoto ganha destaque na Revista Digital Ecocídio como um exemplo vivo de como a memória da floresta pode transformar a educação e a saúde coletiva. O artigo detalha a jornada da pedagoga e ativista na defesa da Amazônia, revelando seu papel crucial na promoção do princípio do “Bem Viver” e na consolidação de estratégias socioambientais urbanas a partir do Parque das Tribos, em Manaus. Uma leitura indispensável para compreender a urgência de políticas públicas humanizadas e o impacto estratégico das mulheres indígenas nos espaços de tomada de decisão.
Conheça a inspiradora trajetória da Professora Vanda Witoto, que percorre um caminho marcado pela ancestralidade e pela educação, desde sua infância na Aldeia Colônia, em Amaturá, até sua atuação em renomadas instituições internacionais, como Harvard e Oxford. Neste emocionante relato, ela compartilha como as memórias da floresta, da convivência comunitária e do trabalho com a terra moldaram seu propósito de vida: educar, cuidar das pessoas e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa.
Ao conectar suas experiências de infância aos debates contemporâneos sobre direitos indígenas e políticas públicas, Vanda evidencia a força dos saberes tradicionais na promoção de soluções mais humanas e sustentáveis. Sua trajetória demonstra como o legado indígena pode inspirar novas formas de pensar o desenvolvimento, defendendo uma visão de mundo baseada na interdependência entre seres humanos, comunidade e natureza. Em contraposição aos modelos fundamentados na acumulação de riquezas, ela propõe uma existência pautada pelo equilíbrio, pelo cuidado coletivo e pelo respeito à vida em todas as suas formas.
Assista ao conteúdo completo diretamente no canal oficial da ativista: @vandawitoto_oficial.
A força e o protagonismo de Vanda Witoto na defesa da Amazônia e na reconstrução da representatividade política ganham destaque em duas entrevistas essenciais disponíveis no YouTube. No primeiro registro, concedido ao canal Miriticast (2:28), a pedagoga, profissional da saúde e ativista detalha sua trajetória (5:06), discutindo os desafios das comunidades periféricas e ribeirinhas (8:00), o fomento às economias tradicionais (14:12) e as estratégias socioambientais promovidas no Parque das Tribos, em Manaus (8:08). Já no segundo vídeo, em uma emocionante conversa conduzida por Rafael Parente, Vanda aprofunda o debate sobre as reparações históricas urgentes devidas aos povos originários (9:49), a necessidade de desconstruir a narrativa eurocêntrica nas escolas (3:49) e a importância estratégica de eleger mulheres indígenas para equilibrar os espaços de tomada de decisão no Brasil (2:24).
Além das Fronteiras: Conexões Globais sobre o Ecocídio
As postagens em destaque revelam dimensões inéditas do ecocídio: das lutas dos povos originários no Brasil às disputas jurídicas internacionais, passando por dados, histórias e reflexões que raramente chegam ao grande público. Navegue pelos conteúdos abaixo e descubra análises exclusivas que a Revista Digital Ecocídio preparou para ampliar seu olhar sobre um dos maiores desafios do nosso tempo.
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Hitxá Pataxó (Adriana Pesca) — Professora atuante nas escolas indígenas das redes municipal e estadual, poeta, pataxó, mãe, apaixonada por leitura, escrita e nomadismo.
“É formada na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), é professora atuante nas escolas indígenas das redes municipal e estadual, poeta, pataxó, mãe, apaixonada por leitura, escrita e nomadismo. Licenciada em História, Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena, Especialista em História e Cultura afro-brasileira e africana, pós-graduada em Ensino e Relações Étnico-Raciais. Participa do Grupo de Pesquisa em Linguagem, Poder e Contemporaneidade – GELPOC.” Fonte: Cultura em Mairinque e Região.
Hitxá Pataxó: A Escola como Instrumento de Dignidade e Florescimento Cultural
Para a professora Hitxá Pataxó (nome étnico de Adriana Pesca), a Educação Escolar Indígena transcende o mero ensino formal, sendo um poderoso instrumento de luta e uma profunda reverência à cultura ancestral de seu povo, o Pataxó do Território Indígena de Coroa Vermelha. Hitxá define a educação como um “lugar de florescimento, de se encher de saberes e transbordar para o outro”, e a utiliza como arma essencial na resistência contemporânea pela dignidade e existência dos povos indígenas. Sua atuação profissional é marcada pela convicção de que levar adiante a luta iniciada pelos antepassados — utilizando o lápis e a caneta no lugar do arco e flecha — é um dever para garantir os direitos, a afirmação identitária e a preservação das tradições Pataxó.
Literatura, Corpo e Saberes Ancestrais
Hitxá Pataxó e o Festival TRANÇA: A Expansão Indígena da Arte e do Conhecimento
O Festival TRANÇA de 2023, promovido pelo canal Tomar Corpo, reuniu pesquisadoras, autoras e detentoras de tecnologias ancestrais para expandir a visão sobre arte, vida e literatura, priorizando o conhecimento a partir de “esquemas corporais diversos e suas múltiplas inscrições”. O evento contou com a participação da professora Adriana Pesca Pataxó (Hitxá Pataxó), ao lado de importantes figuras como Auritha Tabajara e Trudruá Dorrico. O foco da discussão foi abrir espaço para o conhecimento indígena e sua relação intrínseca com a ancestralidade e a experiência de vida, enriquecendo o debate literário e artístico contemporâneo.
Poéticas e Narrativas Indígenas: Despertando as Raízes da Resistência
Hitxá Pataxó e a Força da Ancestralidade em “Quem Não Pode com a Formiga, Não Assanha o Formigueiro”
A professora Adriana Pesca (Hitxá Pataxó), uma intelectual indígena Pataxó com vasta formação acadêmica — incluindo Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena e pós-graduação em Ensino e Relações Étnico-Raciais —, promoveu em abril de 2023 no Museu das Culturas Indígenas a oficina “QUEM NÃO PODE COM A FORMIGA, NÃO ASSANHA O FORMIGUEIRO | Poéticas e narrativas indígenas”. A iniciativa teve como objetivo central trabalhar as poéticas e narrativas ancestrais, explorando suas formas de oralituras e escrituras como ferramentas vitais de fortalecimento, resistência e luta dos povos originários. O evento foi descrito pelos participantes como um momento de “amor, generosidade e conexão com a força da ancestralidade,” funcionando como um despertar das raízes e uma poderosa forma de resistência contra os processos coloniais.
Para a professora Hitxá Pataxó, educação é reverência à cultura ancestral e instrumento de luta. Fonte: Jornal Osollo
Fonte: Jornal Osollo
Link: https://osollo.com.br/para-a-professora-hitxa-pataxo-educacao-e-reverencia-a-cultura-ancestral-e-instrumento-de-luta/
Por: OSollo/Ascom
Data: 6 de outubro de 2021
“… Para a professora Hitxá Pataxó, educação é reverência à cultura ancestral e instrumento de luta

Adriana Pesca ou Hitxá Pataxó, como se autodenomina etnicamente, tem na educação um “lugar de florescimento, de se encher de saberes e transbordar para o outro”. É neste compasso que a professora indígena da etnia Pataxó, pertencente ao Território Indígena de Coroa Vermelha, construiu sua trajetória profissional na Educação Indígena. No Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, no Sul baiano, a educadora exerce a sua vocação educacional, somada às lutas afirmativas da identidade étnica de seu povo.
“Educação escolar indígena é lugar de protagonismo e autodeterminação, embora tenha como nascedouro um processo colonial repleto de violências, que se tornou hoje um lugar de fortalecimento de nossas lutas diárias”, reflete a professora Adriana, carregando em si a convicção de que, em 16 anos de experiência docente, a defesa pelo protagonismo estudantil nas vozes indígenas é a base do processo de ensino e aprendizagem. Desse modo, ela busca estimular seus alunos a assumirem a autoria das produções de seus povos, produzindo saberes por meio de sua cultura e dos processos de interculturalidade e que estes sejam tão valiosos quanto os saberes considerados universais.
A sua proposta em sala de aula, revela, “é que os estudantes se apropriem dos mecanismos e técnicas ocidentais, como a escrita alfabética, e desenvolvam com potência a produção textual, a leitura crítica e o poder de enunciação. A escrita, portanto, deve ser como uma flecha certeira e ligeira e que possa deixar a marca de um povo que existe e resiste como povos originários”, discursa. Através do incentivo à autoria indígena, Adriana luta para que a sociedade compreenda que os indígenas são responsáveis por escrever a própria narrativa e que não é a verdade do colonizador.
A paixão pelas letras começou desde muito cedo, quando ainda não conseguia sequer decodificar os códigos linguísticos. O pai, homem de pouca escolaridade, a presenteou com um gibi, marcando seu gosto pela leitura. Foi naquele momento que ela começou a construir suas primeiras narrativas. “Meus pais cursaram apenas as séries iniciais. Aprenderam a ler e escrever, mas não concluíram os estudos. De família humilde, minha mãe indígena da etnia Pataxó e meu pai, homem negro, muito cedo precisaram trocar os livros e cadernos pelo labor diário. Embora não tenham tido tantas oportunidades, sempre acreditaram que somente por meio do conhecimento e da escolarização seria possível que os filhos tivessem uma vida menos dura, de modo que tornaram os estudos uma prioridade para meus irmãos e eu”, relata.
A sua caminhada ancestral a inspirou a uma trajetória ligada ao retorno às suas raízes. “Durante nossa vida escolar, devido às dificuldades de acesso à escola no local onde morávamos, meu pai optou por sair da aldeia e ir morar num distrito próximo, onde havia escola. Por isso, passamos parte significativa de nossas vidas em ambiente externo à aldeia, retornando sempre para visitar meus avós maternos. Esses caminhos de retorno, sempre me reconectavam com a minha cultura ancestral”, conta Adriana, licenciada em História e em Intercultural em Educação Escolar Indígena, respectivamente, pela Faculdade Santo Agostinho (FACSA) e pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), além de especialista em Ensino da Cultura Afro brasileira e Africana e, atualmente, mestranda em Ensino e Relações Étnico-raciais pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
Ser educadora para Adriana também não está dissociado do ser mulher indígena, com todo o potencial transformador de sua coletividade. “Represento, portanto, um coletivo de vozes, de lutas e de territorialidades, cuja força maior foi fincada, como raiz, por quem veio antes e deixou um caminho de lutas iniciado. É meu dever levar adiante essa luta, apontando para os universos possíveis que, com a educação e pela educação, somos capazes de vislumbrar. Educação Escolar Indígena é um instrumento de luta pela dignidade de nossas existências, forjadas na luta e na sobrevivência, para que possamos contar a nossa própria história, buscando respeito aos nossos saberes, cultura e diversidade”.
Além das Fronteiras: Conexões Globais sobre o Ecocídio
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