AnĂĄlise HistĂłrica e GeopolĂtica
đ A Fome da Batata, o Dogma do Mercado e o EmbriĂŁo do EcocĂdio: LiçÔes da Irlanda (1845â1849) para a Doutrina ClimĂĄtica do SĂ©culo XXI
Eventos histĂłricos demonstram que desastres rotulados como ‘naturais’ possuem, em sua gĂȘnese, determinantes polĂticos profundos. O caso da Grande Fome na Irlanda ilustra como a ortodoxia do laissez-faire priorizou o fluxo comercial em detrimento da subsistĂȘncia humana. Na contemporaneidade, surge o questionamento: as agendas ambientais globais representam uma ruptura Ă©tica ou configuram um ‘liberalismo ecolĂłgico’ que mascara a continuidade do ecocĂdio? Analisar o sĂ©culo XIX torna-se, portanto, fundamental para decifrar as omissĂ”es das atuais polĂticas climĂĄticas.
Da Ideologia do Laissez-faire à Nova Doutrina de Priorização de Vidas em um Contexto de Crise Ambiental e Responsabilidade de Lideranças
1. Introdução
A memĂłria histĂłrica das catĂĄstrofes Ă© frequentemente obscurecida pela simplificação de suas causas. A Grande Fome Irlandesa de 1845â1849 Ă©, Ă primeira vista, um evento de origem biolĂłgica: o fungo Phytophthora infestans devastou a cultura da batata. No entanto, o que transformou uma falha de colheita em uma tragĂ©dia humana, ceifando mais de um milhĂŁo de vidas e forçando a migração de outro milhĂŁo, foi a interseção perversa entre a praga e a estrutura sĂłcio-polĂtica de exploração e a rigidez ideolĂłgica do Laissez-faire â a doutrina econĂŽmica que defende a “nĂŁo intervenção” do Estado, pregando que o mercado deve funcionar livremente por conta prĂłpria.
Este artigo propĂ”e uma anĂĄlise da Fome da Batata, destacando como a ganĂąncia dos proprietĂĄrios de terras e a ideologia de “nĂŁo intervenção” do governo britĂąnico criaram uma catĂĄstrofe induzida por humanos. O objetivo central Ă© estabelecer um paralelo crĂtico com o debate contemporĂąneo sobre a crise climĂĄtica e a responsabilidade das elites, utilizando como gancho a discussĂŁo proposta na publicação do site EcocĂdio (2025) intitulada: âBill Gates na COP30: Priorizar Vidas Ă© a Nova Doutrina ClimĂĄtica ou uma Distração do EcocĂdio?â.
Em um mundo digitalmente conectado, a conscientização ambiental promovida por veĂculos como a Revista EcocĂdio ganha força ao traçar paralelos histĂłricos cruciais. Ă imperativo revisitar a tragĂ©dia de 1845 para questionar: estariam as lideranças de hoje adotando um ‘laissez-faire ambiental’ sob nova roupagem? O que o passado nos ensina Ă© que a omissĂŁo polĂtica e a fĂ© cega no mercado podem ser o prelĂșdio para o ecocĂdio, exigindo uma ruptura imediata com a inĂ©rcia climĂĄtica.
2. A Fome Irlandesa: Crise BiolĂłgica, CatĂĄstrofe PolĂtica
2.1. O Contexto Histórico da Exploração
A Irlanda do sĂ©culo XIX operava sob um sistema de propriedade de terra que concentrava vastas ĂĄreas nas mĂŁos de grandes proprietĂĄrios, majoritariamente protestantes e muitos deles “aristocratas ausentes” que residiam na Inglaterra (O’CONNELL, 2017).
- DependĂȘncia Cega: A população camponesa, em sua maioria catĂłlica e empobrecida, era forçada a pagar aluguĂ©is exorbitantes. Para sobreviver e cumprir essas obrigaçÔes, a batata se tornou o principal, e muitas vezes o Ășnico, alimento, devido ao seu alto rendimento calĂłrico por hectare, liberando o restante da produção (grĂŁos, gado) para o mercado e, crucialmente, para a exportação para a GrĂŁ-Bretanha (WOODHAM-SMITH, 1991).
- Exportação em Meio Ă Morte: A ganĂąncia e o foco no lucro da elite latifundiĂĄria garantiram que, mesmo nos anos mais severos da fome (1846â1848), milhĂ”es de toneladas de grĂŁos e grandes rebanhos continuassem a deixar a Irlanda sob forte escolta militar, como documentado por SEN (1981) em sua anĂĄlise sobre a capacidade de acesso a alimentos.
2.2. A Ideologia e a Negação da Ajuda
O fator mais agravante foi a polĂtica governamental britĂąnica, rigidamente ancorada na doutrina econĂŽmica liberal do laissez-faire (Laissez-faire, 2025).
Destaque: Ideologia e Laissez-faire:
A polĂtica do governo britĂąnico na Ă©poca, influenciada por uma forte ideologia de livre mercado (laissez-faire), resistiu inicialmente a grandes intervençÔes de socorro, argumentando que isso interferiria no mercado, agravando a situação por negar ajuda essencial.
Lideranças como o SecretĂĄrio do Tesouro, Charles Trevelyan,1 viam a fome nĂŁo apenas como um problema a ser resolvido, mas como um “julgamento de Deus” e uma oportunidade de forçar uma reforma moral e econĂŽmica da população irlandesa. A intervenção direta para parar a exportação de alimentos ou fornecer assistĂȘncia em larga escala foi, por princĂpio, rejeitada, configurando uma omissĂŁo deliberada que priorizava a sacralidade do lucro e do mercado sobre a vida humana.
2.3. O EmbriĂŁo do EcocĂdio: Perda de Biodiversidade e Colapso
Embora o termo ecocĂdio sĂł tenha ganhado destaque jurĂdico dĂ©cadas depois (KOOIJMAN, 2025), a crise evidenciou a fragilidade ecolĂłgica induzida pela monocultura e exploração.
- Biodiversidade AgrĂcola: A dependĂȘncia de poucas cultivares de batata expĂŽs a nação a um risco catastrĂłfico. A praga quase levou Ă extinção de vĂĄrias variedades nativas, destacando o perigo da perda de diversidade genĂ©tica (YALE CENTER, 2025). Essa perda da riqueza agrĂcola genĂ©tica, impulsionada pelo sistema de exploração, Ă© um precursor de danos ambientais de larga escala.
- Caça de SobrevivĂȘncia: O colapso social induziu a caça de animais selvagens restantes (e.g., aves e pequenos mamĂferos) para sobrevivĂȘncia, aumentando a pressĂŁo sobre a fauna e contribuindo para a extinção local de espĂ©cies, um crime correlato ao ecocĂdio em sua essĂȘncia de destruição ecolĂłgica.
3. O Dilema ContemporĂąneo: Liderança, Laissez-faire ClimĂĄtico e a Sombra do EcocĂdio
3.1. A Tomada de Decisão de Lideranças e o Impacto na Fome Global
O paralelo entre 1845 e as crises atuais reside na tomada de decisĂŁo das lideranças. Na Irlanda, a decisĂŁo foi a omissĂŁo ideolĂłgica e a priorização do lucro. Hoje, o debate se concentra na resposta das grandes potĂȘncias e corporaçÔes frente Ă emergĂȘncia climĂĄtica, o motor das futuras crises de fome.
- O Novo Laissez-faire: A resistĂȘncia de lĂderes globais (polĂticos e empresariais) em adotar medidas climĂĄticas radicais â como a descarbonização rĂĄpida ou a regulação da agricultura industrial â sob o pretexto de proteger o crescimento econĂŽmico e os interesses de mercado (YALE, 2024), reflete o mesmo dogma do mercado visto em 1845.
- DecisĂŁo e EcocĂdio: DecisĂ”es que adiam a transição energĂ©tica e continuam a permitir a destruição de ecossistemas (desmatamento na AmazĂŽnia, mineração destrutiva) tĂȘm uma influĂȘncia direta no conceito de EcocĂdio. Conforme a definição proposta pelo Painel de Peritos Independentes (2021), EcocĂdio significa “atos ilegais ou arbitrĂĄrios cometidos com conhecimento de probabilidade substancial de danos graves e generalizados ou de longa duração ao meio ambiente” (Ecocide Law, 2021). A recusa em agir, sabendo que as emissĂ”es causam danos globais, enquadra-se nesse elemento mental (DARRYL & WHYTE, 2025).
A Engenharia da Fome: Onde a GanĂąncia de Mercado Encontra o EcocĂdio
Para dar seguimento ao tema da exploração e ganĂąncia por trĂĄs da tragĂ©dia da Grande Fome Irlandesa (1845â1849), recomendo o vĂdeo “The Great Irish Famine – documentary (1996)”, publicado pelo canal Vintage Broadcasting System, que detalha como, durante a praga da batata, a Irlanda continuou a ser uma grande exportadora de alimentos para a Inglaterra. Ele expĂ”e a ideologia do governo britĂąnico da Ă©poca, que via a crise como uma oportunidade para reformar a economia irlandesa atravĂ©s do livre mercado, resultando em leis que protegiam os lucros dos latifundiĂĄrios enquanto a população camponesa morria de inanição sob o dogma do laissez-faire.
- Exportação em plena fome: O vĂdeo detalha como a Irlanda continuou a exportar carne, grĂŁos e laticĂnios para a GrĂŁ-Bretanha enquanto a população morria, porque os famintos nĂŁo tinham dinheiro para comprar o que era produzido na sua prĂłpria terra [01:09:46].
- O Dogma do Mercado: Explica como o governo britĂąnico, sob a influĂȘncia de Charles Trevelyan, se recusou a intervir no mercado livre para baixar os preços, acreditando que a fome era um mecanismo de “reforma” ou “julgamento divino” [46:15].
- A “Fome Artificial”: Reforça a ideia de que a catĂĄstrofe nĂŁo foi apenas o fungo da batata, mas sim a falha deliberada em redirecionar os recursos existentes para salvar vidas, priorizando a economia sobre a humanidade [01:12:21].
A relevĂąncia deste documentĂĄrio para a anĂĄlise do EcocĂdio reside na desconstrução do mito da “catĂĄstrofe puramente natural”. O vĂdeo Ă© essencial por documentar a logĂstica da crueldade: a proteção militar de comboios de comida que deixavam portos irlandeses enquanto milhĂ”es pereciam. Ele ilustra com precisĂŁo como a rigidez ideolĂłgica e a priorização dos direitos de propriedade sobre o direito Ă vida transformaram uma crise biolĂłgica em um ato de negligĂȘncia deliberada, servindo como um espelho histĂłrico para as decisĂ”es das lideranças atuais frente Ă emergĂȘncia climĂĄtica global.
Nota importante: Este vĂdeo estĂĄ incorporado (embedded) diretamente do YouTube, e todos os direitos de propriedade intelectual pertencem ao canal original Vintage Broadcasting System e seus criadores. Para uma melhor experiĂȘncia, recomendamos a ativação da legenda em portuguĂȘs (tradução automĂĄtica) no player: basta clicar no Ăcone de Engrenagem (âïž), selecionar “Legendas”, escolher o idioma original (“InglĂȘs”), e em seguida, selecionar a opção “Traduzir automaticamente” para escolher o “PortuguĂȘs”.
3.2. Comparativo com a Publicação do EcocĂdio: Priorizar Vidas ou Distração?
A publicação âBill Gates na COP30: Priorizar Vidas Ă© a Nova Doutrina ClimĂĄtica ou uma Distração do EcocĂdio?â (EcocĂdio, 2025) toca diretamente no cerne da questĂŁo da liderança e da ideologia.
A ĂȘnfase em inovaçÔes tecnolĂłgicas e na “adaptação” (a “Priorização de Vidas”) sem abordar as estruturas de poder e exploração que causam a crise (o “EcocĂdio”) pode ser interpretada como um novo laissez-faire.
| Aspecto | Grande Fome Irlandesa (1845) | Crise ClimĂĄtica (PĂłs-COP30) |
| Ameaça Inicial | Fungo (P. infestans) e Monocultura | Mudanças climåticas, poluição |
| Ideologia Dominante | Laissez-faire ClĂĄssico | Crescimento EconĂŽmico/Tecno-otimismo |
| Prioridade Oficial | NĂŁo Intervir no Mercado/Lucro do ProprietĂĄrio | “Priorizar Vidas” (Adaptação/Inovação) |
| OmissĂŁo CrĂtica | NĂŁo Parar Exportação de Alimentos | NĂŁo Cessar Imediatamente a Exploração FĂłssil/EcocĂdios |
| Resultado | CatĂĄstrofe Humana e Perda de Variedades AgrĂcolas | Agravamento da Crise (EcocĂdio) e Injustiça ClimĂĄtica |
A crĂtica Ă©: assim como o governo britĂąnico nĂŁo resolveu a fome redistribuindo alimentos, mas sim insistindo no dogma do mercado, as propostas que nĂŁo endereçam o EcocĂdio subjacente (a destruição sistĂȘmica e intencional do planeta para lucro) acabam sendo uma distração. A verdadeira priorização de vidas exige a criminalização do EcocĂdio para deter o dano na fonte (HARVARD, 2025).

4. AnĂĄlise CrĂtica Integrada: SWOT
A aplicação de uma AnĂĄlise SWOT ao contexto da Fome, do EcocĂdio e da tomada de decisĂŁo de lideranças destaca os desafios e as oportunidades para a justiça ambiental global.
| Aspecto | Detalhe da AnĂĄlise | ConexĂŁo com a Crise de Laissez-faire |
| Forças (S) | ConsciĂȘncia Global e Digital (EcocĂdio Law, SEI). Biodiversidade (USP, YALE). | A conectividade digital permite a rĂĄpida mobilização e a visibilidade dos crimes ambientais, combatendo o silĂȘncio do laissez-faire. |
| Fraquezas (W) | Inação dos Estados (Veto no TPI). DomĂnio de Interesses Corporativos. | O dogma do mercado continua a ditar polĂticas, assemelhando-se Ă inação britĂąnica diante da fome. |
| Oportunidades (O) | Criminalização do EcocĂdio (PL 2933/2023, UE). Direitos da Natureza. | A adoção da Lei do EcocĂdio oferece a ferramenta jurĂdica para punir o “novo laissez-faire“. |
| Ameaças (T) | Fomes Climåticas. Greenwashing e Distração. | A manutenção da ideologia que prioriza o lucro sobre a vida pode levar a colapsos ambientais e sociais (WILSON CENTER, 2024). |
5. ConclusĂŁo e ReflexĂŁo CrĂtica
A Grande Fome Irlandesa é um espelho sombrio que reflete como a ganùncia estrutural e a ideologia do mercado podem transformar uma adversidade natural em uma calamidade humana de proporçÔes genocidas. A omissão deliberada do governo britùnico em nome do laissez-faire não apenas custou vidas, mas demonstrou a primazia do capital sobre a moralidade e a vida.
A lição para as lideranças do sĂ©culo XXI Ă© clara: a inação diante das mudanças climĂĄticas, motivada pela defesa do lucro e do sistema econĂŽmico atual, Ă© a moderna manifestação do laissez-faire ambiental, um caminho direto para o EcocĂdio. Polly Higgins, a visionĂĄria jurista, expressou a urgĂȘncia: “A Terra precisa de um bom advogado” (2010), referindo-se Ă necessidade de um aparato legal que criminalize a destruição em massa.
Priorizar vidas nĂŁo Ă© apenas uma questĂŁo de ajuda humanitĂĄria; Ă©, fundamentalmente, uma questĂŁo de justiça estrutural e justiça ecolĂłgica. A verdadeira doutrina climĂĄtica deve ser a que reconhece o EcocĂdio como o quinto crime internacional, garantindo que as futuras catĂĄstrofes de fome nĂŁo sejam catalisadas pela ideologia inescrupulosa, mas sim prevenidas pela responsabilidade global (MINKOVA, 2021).
AçÔes Pråticas:
- Apoiar a Criminalização: Pressionar pela aprovação e ratificação do crime de EcocĂdio em jurisdiçÔes nacionais e internacionais (referĂȘncia: Do Pioneirismo Ă UrgĂȘncia: PL 2933/2023).
- Promover a Soberania Alimentar: Defender a diversidade genĂ©tica agrĂcola e sistemas de produção que nĂŁo dependam da monocultura exploratĂłria (referĂȘncia: Rachel Carson: Legado CientĂfico contra o EcocĂdio).
- Responsabilizar Lideranças: Exigir que as decisĂ”es econĂŽmicas e polĂticas sejam pautadas pelo princĂpio da responsabilidade socioambiental (referĂȘncia: Marina Silva â TrajetĂłria e Atuação Ambiental).
A TolerĂąncia Legal como Motor da Crise
A Luta por Justiça Ă ContĂnua. O que vocĂȘ acabou de ler Ă© um sintoma. A crise nĂŁo Ă© apenas de acidentes, mas de um sistema legal que tolera a destruição.
đ EcocĂdio em Contexto
Para aprofundar este tema e explorar outras publicaçÔes da Revista Digital EcocĂdio, acesse nossa pĂĄgina de referĂȘncias essenciais:
đ± EcocĂdio em Contexto â Leituras e ReferĂȘncias6. ReferĂȘncias
HARVARD UNIVERSITY (EUA). Criminalizing Ecocide: An Opportunity to Embed the Inseparability of Humans from Nature Into the Law. Harvard Law Review, [S.l.], 2025. DisponĂvel em: https://journals.law.harvard.edu/hrj/wp-content/uploads/sites/83/2025/05/02_HLH_38_1_Hamilton69-112-Compressed-for-Website.pdf. Acesso em: 19 dez. 2025.
KOOIJMAN, M. Ecocide. In: OXFORD RESEARCH ENCYCLOPEDIA OF ENVIRONMENTAL SCIENCE. Oxford: Oxford University Press, 21 out. 2025. DisponĂvel em: https://oxfordre.com/environmentalscience/display/10.1093/acrefore/9780199389414.001.0001/acrefore-9780199389414-e-943. Acesso em: 19 dez. 2025.
Laissez-faire. In: ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. [S.l.]: Laissez-faire Ă© uma polĂtica de mĂnima intervenção governamental nos assuntos econĂŽmicos dos indivĂduos e da sociedade. Encyclopaedia Britannica, 2025. DisponĂvel em: https://www.britannica.com/money/laissez-faire. Acesso em: 19 dez. 2025.
MINKOVA, Liana Georgieva. The Fifth International Crime: Reflections on the Definition of âEcocideâ. Journal of Genocide Research, v. 25, n. 1, p. 62-83, 2021. DisponĂvel em: https://www.repository.cam.ac.uk/items/bb4f1375-781c-400a-9a91-a4722dba624f. Acesso em: 19 dez. 2025.
OâCONNELL, John. The Economic History of the Great Famine: A Reassessment. Dublin: University College Dublin Press, 2017. DisponĂvel em: https://journals.uclpress.co.uk/herj/article/pubid/Hist_Educ_Res_J-20-2/. Acesso em: 19 dez. 2025.
SEN, Amartya. Poverty and Famines: An Essay on Entitlement and Deprivation. Oxford: Clarendon Press, 1981. DisponĂvel em: https://academic.oup.com/book/32827. Acesso em: 19 dez. 2025.
STOP ECOCIDE FOUNDATION. Definition of Ecocide. Painel de Peritos Independentes, 2021. DisponĂvel em: https://ecocidelaw.com/definition/#definition. Acesso em: 19 dez. 2025.
TAYLOR & FRANCIS GROUP. âHuman, all too humanâ: the anthropocentricisation of ecocide. Revista Internacional de Direitos Humanos, 2025. DisponĂvel em: https://repository.essex.ac.uk/41599/1/IJHR%20-%20Gillett%20-%20Human%20%20all%20too%20human%20%20%20the%20anthropocentricisation%20of%20ecocide.pdf. Acesso em: 19 dez. 2025.
YALE UNIVERSITY (EUA). We Canât Innovate Our Way Out of Ecocide. YaleBooks, 2024. DisponĂvel em: https://yalebooks.yale.edu/2024/04/22/we-cant-innovate-our-way-out-of-ecocide/. Acesso em: 19 dez. 2025.
WOODHAM-SMITH, Cecil. The Great Hunger: Ireland 1845â1849. New York: Harper & Row, 1991. DisponĂvel em: https://www.jstor.org/stable/25660834. Acesso em: 19 dez. 2025.
ReferĂȘncias Complementares (EcocĂdio):
- EcocĂdio. Bill Gates na COP30: Priorizar Vidas Ă© a Nova Doutrina ClimĂĄtica ou uma Distração do EcocĂdio? DisponĂvel em: https://ecocidio.com.br/bill-gates-na-cop30-priorizar-vidas-e-a-nova-doutrina-climatica-ou-uma-distracao-do-ecocidio/.
- EcocĂdio. Origem do Termo EcocĂdio e Evolução HistĂłrica. DisponĂvel em: https://ecocidio.com.br/origem-do-termo-ecocidio-e-evolucao-historica/
- EcocĂdio. Painel de Doze Especialistas: Definição Internacional de EcocĂdio. DisponĂvel em: https://ecocidio.com.br/painel-de-doze-especialistas-para-definicao-de-ecocidio-e-convocado-apos-75-anos-dos-termos-genocidio-e-crimes-contra-a-humanidade/
- EcocĂdio. Do Pioneirismo Ă UrgĂȘncia: PL 2933/2023 e a Proteção Ambiental no Brasil. DisponĂvel em: https://ecocidio.com.br/do-pioneirismo-a-urgencia-como-o-pl-2933-2023-pode-redefinir-a-protecao-ambiental-e-tipificar-o-ecocidio-no-brasil/
- EcocĂdio. Rachel Carson: Legado CientĂfico contra o EcocĂdio. DisponĂvel em: https://ecocidio.com.br/rachel-carson-lenda-da-ecologia-biologa-e-escritora-pioneira-e-o-legado-cientifico-que-fundamentou-a-luta-contra-o-ecocidio/
- EcocĂdio. Marina Silva â TrajetĂłria e Atuação Ambiental. DisponĂvel em: https://ecocidio.com.br/marina-silva-maria-osmarina-silva-de-sousa-ministra-do-meio-ambiente-2003-2008-e-atual-ministra-do-meio-ambiente-e-mudanca-climatica-em-2023-governo-lula/
Notas de Rodapé
- Os livros de Charles Trevelyan (1847) e John Mitchel (1860) constituem obras pioneiras sobre a Grande Fome e, apesar de suas visĂ”es extremas, definiram um arcabouço que ajuda a compreender os desenvolvimentos historiogrĂĄficos posteriores, do nacionalismo ao revisionismo e ao pĂłs-revisionismo. AlĂ©m das consideraçÔes teĂłricas em si, outro fator dessas tendĂȘncias historiogrĂĄficas Ă© o contexto em que os historiadores trabalharam: o estado das relaçÔes anglo-irlandesas e o conflito na Irlanda do Norte tambĂ©m contribuĂram para moldar as interpretaçÔes da Fome. DisponĂvel em: https://journals.openedition.org/rfcb/281. Acesso em: 20 dez. 2025. â©ïž
7. Frases Impactantes
- A fome nĂŁo Ă© um acidente da natureza, mas uma falha da humanidade em escolher a Ă©tica sobre a ganĂąncia. Revista Digital EcocĂdio.
- O Laissez-faire de 1845 foi o precursor ideolĂłgico do EcocĂdio de hoje: a mesma primazia do lucro sobre a vida. Revista Digital EcocĂdio.
- Priorizar vidas Ă© deter a destruição: a Ășnica doutrina climĂĄtica sustentĂĄvel Ă© a que criminaliza o EcocĂdio. Revista Digital EcocĂdio.
Postagens em Destaque
A GĂȘnese do Direito Ambiental: Do Controle de Fumaça Ă Tutela Penal da Biosfera
A Rota do Ar Limpo: Do Legado de Londres de 1952 Ă Criminalização do EcocĂdio em Haia
O Grande Nevoeiro de Londres (1952), a Lei do Ar Limpo de 1956 e o EcocĂdio
Tundra e EcocĂdio: A Fragilidade dos Biomas na Ordem Internacional
Governança do Antropoceno: A Taiga Boreal sob a Ătica do Direito Ambiental Internacional
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