Mulheres Indígenas Educadoras
🌊 Epistemologias Emergentes e o Sul Global: A Práxis Decolonial de Cristine Takuá face à Crise Civilizatória
Através de uma profunda crítica à “monocultura mental” do sistema de ensino tradicional, a filósofa e educadora indígena Cristine Takuá apresenta o movimento Escolas Vivas como uma semente de decolonização e cura para a sociedade. A publicação compila encontros e entrevistas essenciais onde a pensadora defende o território e a floresta como salas de aula legítimas, propondo o acordamento de memórias ancestrais que o colonialismo tentou apagar. O texto costura temas urgentes como os direitos da natureza, o resgate do silêncio sagrado e a preservação das águas da Mata Atlântica contra o avanço do ecocídio.
Introdução:
A contemporaneidade é marcada por uma crise civilizatória e ecológica de proporções globais que coloca em xeque as premissas ontológicas e axiológicas da modernidade ocidental.1 Diante do esgotamento dos modelos predatórios de desenvolvimento, o campo da educação passa por uma revisão crítica de seus alicerces eurocêntricos, impulsionado pela necessidade de superação do epistemicídio histórico que marginalizou saberes não ocidentais. Nesse cenário de transição paradigmática, a práxis teórica e pedagógica da filósofa e educadora indígena Cristine Takuá emerge como uma vertente de transformação decolonial.2 Ao articular o movimento das Escolas Vivas e a ontologia política do Bem Viver,3 Takuá tensiona as estruturas normativas da chamada “monocultura mental”4 operada pelas instituições tradicionais de ensino, resgatando a indissociabilidade entre a produção do conhecimento, a ancestralidade e a integridade da biosfera.
A transposição dessas premissas teóricas para o plano empírico pressupõe a efetivação da desobediência epistêmica, postura que subverte a pretensa universalidade do racionalismo cartesiano em prol da pluralidade de saberes. No contexto geopolítico da América Latina, e especificamente no território brasileiro, esse vetor decolonial ganha materialidade na resistência histórica e contemporânea de comunidades quilombolas, intelectuais negros e povos originários. Essas dinâmicas manifestam-se de forma nítida nas disputas jurídicas e territoriais em curso, tais como os enfrentamentos ao marco temporal nos biomas da Amazônia e do Cerrado e o monitoramento autônomo de terras ancestrais face ao avanço da fronteira do capital extrativista. Desse modo, o constructo decolonial desvincula-se da mera abstração retórica para consolidar-se como práxis político-ecológica5 e ferramenta analítica indispensável à salvaguarda da biodiversidade e à fundamentação de uma sociedade genuinamente pluriversal.
Aula Aberta: O Conceito de Bem Viver na Educação
Assista à aula aberta com a filósofa e educadora indígena Cristine Takuá, uma reflexão profunda sobre saberes ancestrais, infância, território e os desafios da descolonização da educação contemporânea. Realizada pela Fundação Itaú e pela Escola Superior de Artes Célia Helena, a aula convida o público a conhecer o conceito de “Bem Viver” (32:15) como uma alternativa para repensar as relações entre seres humanos, natureza e comunidade.
A partir de sua trajetória como educadora e coordenadora do movimento Escolas Vivas (19:02), Cristine propõe uma revisão crítica dos currículos escolares tradicionais (20:01), questionando modelos de ensino centrados exclusivamente na perspectiva ocidental. Em sua abordagem, a floresta e o território emergem como espaços legítimos de produção de conhecimento e aprendizagem (20:08), reafirmando a importância dos saberes indígenas para a construção de práticas educacionais mais plurais, sensíveis e conectadas à vida. Fundação Itaú.
Cristine Takuá: O Despertar da Memória Viva e o Território como Escola
Assista à entrevista exclusiva com a filósofa e educadora indígena Cristine Takuá, realizada na Terra Indígena Rio Silveira, em uma conversa conduzida pela jornalista Paulina Chamorro. Em meio à riqueza ambiental e cultural do território, Cristine compartilha reflexões profundas sobre educação, ancestralidade e os desafios impostos pela crise socioambiental contemporânea.
Ao abordar o movimento das Escolas Vivas, ela apresenta a iniciativa como uma estratégia de resistência à “monocultura mental” (2:14) herdada dos processos de colonização, defendendo a valorização da diversidade de saberes, culturas e formas de existência. Ao longo da entrevista, reforça a compreensão de que natureza e cultura constituem dimensões inseparáveis de uma mesma rede de vida (1:32), destacando a importância da reconexão com os conhecimentos ancestrais e com a sabedoria das plantas mestras para a construção de um futuro mais equilibrado e sustentável.
Ser Indígena e os Desafios da Educação Escolar com Cristine Takuá
Conheça os desafios e as potencialidades da educação escolar indígena Guarani nesta produção da Siriema Arte e Cultura, que apresenta um panorama da realidade educacional e demográfica da Terra Indígena Rio Silveira (0:22). O episódio destaca as diferenças entre os processos tradicionais de transmissão de conhecimento e as exigências do sistema formal de ensino, evidenciando os impactos dessas dinâmicas no cotidiano das comunidades.
Em um depoimento reflexivo, Cristine Takuá analisa os principais obstáculos enfrentados pelas escolas indígenas, abordando questões como a ausência de materiais didáticos alinhados aos contextos culturais e territoriais locais (10:23). A educadora também chama atenção para os desafios impostos pelas estruturas burocráticas da educação formal, muitas vezes incompatíveis com os tempos, ritmos e práticas de aprendizagem conduzidas pelos anciões e pelas tradições comunitárias (2:57). O resultado é uma reflexão importante sobre a construção de modelos educacionais mais sensíveis à diversidade cultural e aos saberes indígenas.
Conversa Selvagem com Cristine Takuá, Carlos Papá e Ailton Krenak
Acompanhe um instigante diálogo promovido pelo ciclo de estudos Conversa Selvagem, que reúne importantes reflexões sobre cosmologias indígenas, a escuridão originária, a filosofia do silêncio no pensamento Guarani e os caminhos para a superação das epistemologias coloniais. Neste encontro, Cristine Takuá, Carlos Papá e Ailton Krenak compartilham perspectivas que ampliam o debate sobre diferentes formas de compreender o mundo e a existência (0:16).
A conversa marca também o lançamento do caderno do pensamento Guarani (1:27) e promove uma profunda reflexão decolonial sobre os impactos da lógica mercantil na relação entre sociedade e natureza (3:20). Ao longo do encontro, os participantes questionam a visão ocidental que associa a noite à ausência ou ao desconhecido (13:30) e destacam o valor do silêncio como uma prática de escuta profunda, atenção e conexão com a vida (31:29). O resultado é uma conversa potente sobre conhecimento, ancestralidade e a necessidade de repensar as bases culturais que orientam o mundo contemporâneo.

Nota de esclarecimento
- As premissas ontológicas e axiológicas da modernidade ocidental referem-se aos fundamentos filosóficos que estruturam a visão de mundo moderna: no plano ontológico (a natureza da realidade), fundamentam-se no dualismo cartesiano que separa o ser humano (sujeito racional) da natureza (objeto mecanizado e passível de dominação), além de priorizar uma existência linear, fragmentada e centrada no indivíduo; no plano axiológico (o sistema de valores), consagram a racionalidade instrumental, o progresso técnico-científico, a propriedade privada e o universalismo eurocêntrico como critérios supremos de verdade, moralidade e desenvolvimento, preterindo outras formas de saberes e de relação com a vida. ↩︎
- O termo decolonial refere-se a uma corrente de pensamento, prática política e acadêmica que busca interrogar, desmontar e reverter as estruturas de dominação herdadas do colonialismo que persistem mesmo após a independência política das nações. Para saber mais: Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Link: https://www.eca.usp.br/noticias/cje-departamento-de-jornalismo-e-editoracao/o-que-e-decolonialismo-por-alexandre-barbosa ↩︎
- O Movimento das Escolas Vivas é uma iniciativa político-pedagógica de apoio ao fortalecimento, preservação e transmissão de saberes tradicionais indígenas. Fundado por lideranças e pensadores como Ailton Krenak, Cristine Takuá e Anna Dantes, o movimento atua diretamente em territórios de diversas etnias (como Guarani, Maxakali, Huni Kuï, Baniwa e Tukano). Para saber mais: https://www.anped.org.br/webservice/docs/20852-TEXTO_PROPOSTA_COMPLETO.pdf ↩︎
- “Monocultura mental” (ou monocultura da mente) é um conceito filosófico e sociológico que descreve a imposição de um único modo de pensar, baseado na racionalidade científica e ocidental dominante, que desvaloriza, apaga e destrói a diversidade de saberes locais, tradicionais e indígenas. O termo foi cunhado pela ativista e física indiana Vandana Shiva em sua obra “Monoculturas da Mente”. Ela faz uma analogia direta com a agricultura: assim como a monocultura de sementes importadas destrói a biodiversidade do solo, a monocultura mental elimina o espaço para alternativas locais de conhecimento. Para saber mais: https://acrobat.adobe.com/id/urn:aaid:sc:us:b871bb48-3c9e-4a79-9a61-1decc185def4 ↩︎
- A práxis político-ecológica é a união indissociável entre a teoria crítica da ecologia política e a ação prática transformadora orientada a modificar as relações de poder que moldam a degradação ambiental e a desigualdade socioambiental. Longe de ser apenas um estudo acadêmico, ela representa a ação consciente e militante para superar as crises ecológicas, entendendo que os problemas ambientais são indissociáveis das estruturas políticas, econômicas e sociais (como o capitalismo global e o colonialismo). Para saber mais: https://www.youtube.com/watch?v=liKm8FxFM0k&t=55s e https://acrobat.adobe.com/id/urn:aaid:sc:US:34904d1c-d20f-430c-83bb-1535cf4b9d9f ↩︎
Ecocídio: A Tipificação do Quinto Crime contra a Humanidade no Estatuto de Roma
Neste episódio do programa Direito sem Fronteiras, da Rádio e TV Justiça, o jornalista Guilherme Menezes conduz um debate com Édis Milaré e Tarciso Dal Maso Jardim sobre a possibilidade de o ecocídio ser enquadrado como crime pelo Tribunal Penal Internacional. A conversa oferece uma análise profunda da perspectiva brasileira, com destaque para os fundamentos jurídicos e ambientais que sustentam essa proposta.
Este vídeo encontra-se incorporado diretamente da plataforma YouTube. Todos os direitos de propriedade intelectual permanecem com o canal original e seus respectivos criadores. Para uma melhor experiência, recomendamos a ativação da legenda em português (tradução automática) no player: basta clicar no ícone de Engrenagem (), selecionar “Legendas”, escolher o idioma original (“Inglês”), e em seguida, selecionar a opção “Traduzir automaticamente” para escolher o “Português”.
Após a visualização, os espectadores podem inscrever-se no canal, ativar o sininho para receber notificações e se tornar membros oficiais. Para mais informações sobre compartilhamento de vídeos, os recursos disponíveis do YouTube podem ser acessados: Compartilhar vídeos e Canais YouTube.
Este episódio do programa Direito sem Fronteiras explora o debate jurídico internacional sobre a inclusão do ecocídio como o quinto crime sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI). Especialistas como o jurista Édis Milaré discutem como a destruição sistemática e severa do meio ambiente, seja por exploração industrial desenfreada ou métodos de guerra, pode ser equiparada a crimes contra a humanidade, analisando os desafios de responsabilizar indivíduos e a eficácia das legislações nacionais frente ao cenário global.
“O ecocídio representa um crime não apenas contra o conjunto da humanidade, mas sobretudo contra o próprio planeta.”
12 (doze) aulas fundamentais da Advocacia-Geral da União (AGU) voltadas ao Direito Ambiental
Consciência em Pauta: Últimos Destaques da Revista Ecocídio
As postagens em destaque revelam dimensões inéditas do ecocídio: das lutas dos povos originários no Brasil às disputas jurídicas internacionais, passando por dados, histórias e reflexões que raramente chegam ao grande público. Navegue pelos conteúdos abaixo e descubra análises exclusivas que a Revista Digital Ecocídio preparou para ampliar seu olhar sobre um dos maiores desafios do nosso tempo.
🌊 Epistemologias Emergentes e o Sul Global: A Práxis Decolonial de Cristine Takuá face à Crise Civilizatória
🌊 Vanda Witoto: A Trajetória de uma Educadora Indígenas das Florestas para o Mundo
🌊 O Papel do Documentário Independente na Denúncia da Devastação Ambiental em Mianmar
🌊 A Gênese do Direito Ambiental: Do Controle de Fumaça à Tutela Penal da Biosfera
A Rota do Ar Limpo: Do Legado de Londres de 1952 à Criminalização do Ecocídio em Haia
O Grande Nevoeiro de Londres (1952), a Lei do Ar Limpo de 1956 e o Ecocídio
Mulheres Indígenas Educadoras
🌊 Vanda Witoto: A Trajetória de uma Educadora Indígenas das Florestas para o Mundo
Da Aldeia Colônia aos palcos de Harvard e Oxford, a trajetória da Professora Vanda Witoto ganha destaque na Revista Digital Ecocídio como um exemplo vivo de como a memória da floresta pode transformar a educação e a saúde coletiva. O artigo detalha a jornada da pedagoga e ativista na defesa da Amazônia, revelando seu papel crucial na promoção do princípio do “Bem Viver” e na consolidação de estratégias socioambientais urbanas a partir do Parque das Tribos, em Manaus. Uma leitura indispensável para compreender a urgência de políticas públicas humanizadas e o impacto estratégico das mulheres indígenas nos espaços de tomada de decisão.
Vanda Witoto: a força da ancestralidade indígena na educação global
A trajetória dos povos originários na contemporaneidade é frequentemente marcada pela resistência e pela reafirmação de suas identidades diante de estruturas coloniais. Quando essas vozes alcançam os principais centros acadêmicos do mundo, elas não apenas rompem barreiras geográficas, mas também propõem novos paradigmas para o desenvolvimento socioambiental global. Um exemplo marcante desse impacto é a jornada da Professora Vanda Witoto, pedagoga e ativista cuja atuação conecta profundamente a sabedoria das florestas aos debates sobre direitos e sustentabilidade no cenário internacional.
Do coração da Amazônia aos palcos de Harvard e Oxford
Conheça a inspiradora trajetória da Professora Vanda Witoto, que percorre um caminho marcado pela ancestralidade e pela educação, desde sua infância na Aldeia Colônia, em Amaturá, até sua atuação em renomadas instituições internacionais, como Harvard e Oxford. Neste emocionante relato, ela compartilha como as memórias da floresta, da convivência comunitária e do trabalho com a terra moldaram seu propósito de vida: educar, cuidar das pessoas e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa.
Ao conectar suas experiências de infância aos debates contemporâneos sobre direitos indígenas e políticas públicas, Vanda evidencia a força dos saberes tradicionais na promoção de soluções mais humanas e sustentáveis. Sua trajetória demonstra como o legado indígena pode inspirar novas formas de pensar o desenvolvimento, defendendo uma visão de mundo baseada na interdependência entre seres humanos, comunidade e natureza. Em contraposição aos modelos fundamentados na acumulação de riquezas, ela propõe uma existência pautada pelo equilíbrio, pelo cuidado coletivo e pelo respeito à vida em todas as suas formas.
No vídeo intitulado “Somos a continuidade de um sonho”, a Professora Vanda Witoto resgata as memórias mais bonitas de sua infância na Aldeia Colônia, em Amaturá, mostrando como o desejo de infância de ser educadora nasceu do hábito de cuidar dos outros (0:15). Ela compartilha como mantém os pés na terra e a conexão com a floresta no seu dia a dia (0:23), transformando o cuidado coletivo e o cultivo da roça em um verdadeiro princípio de vida (0:30). Ao levar essa bagagem ancestral para palcos de prestígio global como Harvard, MIT e Oxford (0:45), Vanda propõe um diálogo sensível com o mundo ocidental, defendendo que as vivências da floresta devem nortear a ética do desenvolvimento e a criação de políticas públicas mais humanas, pautadas no conceito do “Bem Viver” (1:23).
Assista ao conteúdo completo diretamente no canal oficial da ativista: @vandawitoto_oficial.
A força e o protagonismo de Vanda Witoto na defesa da Amazônia e na reconstrução da representatividade política ganham destaque em duas entrevistas essenciais disponíveis no YouTube. No primeiro registro, concedido ao canal Miriticast (2:28), a pedagoga, profissional da saúde e ativista detalha sua trajetória (5:06), discutindo os desafios das comunidades periféricas e ribeirinhas (8:00), o fomento às economias tradicionais (14:12) e as estratégias socioambientais promovidas no Parque das Tribos, em Manaus (8:08). Já no segundo vídeo, em uma emocionante conversa conduzida por Rafael Parente, Vanda aprofunda o debate sobre as reparações históricas urgentes devidas aos povos originários (9:49), a necessidade de desconstruir a narrativa eurocêntrica nas escolas (3:49) e a importância estratégica de eleger mulheres indígenas para equilibrar os espaços de tomada de decisão no Brasil (2:24).
O legado vivo do Bem Viver e a transformação coletiva
Em suma, a trajetória da Professora Vanda Witoto evidencia que a salvaguarda da Amazônia e a formulação de um futuro sustentável passam pela presença ativa das lideranças indígenas nos espaços de tomada de decisão. Ao conectar os saberes ancestrais da floresta e as ações comunitárias urbanas no Parque das Tribos a debates de impacto global, sua atuação propõe uma ruptura indispensável com os modelos tradicionais de desenvolvimento baseados no acúmulo de riquezas. O trabalho de Vanda deixa um legado profundo e urgente: a certeza de que a educação humanizada e o princípio do “Bem Viver” são caminhos práticos e necessários para curar a sociedade e reequilibrar nossa relação com o planeta.
Consciência em Pauta: Últimos Destaques da Revista Ecocídio
As postagens em destaque revelam dimensões inéditas do ecocídio: das lutas dos povos originários no Brasil às disputas jurídicas internacionais, passando por dados, histórias e reflexões que raramente chegam ao grande público. Navegue pelos conteúdos abaixo e descubra análises exclusivas que a Revista Digital Ecocídio preparou para ampliar seu olhar sobre um dos maiores desafios do nosso tempo.
🌊 Epistemologias Emergentes e o Sul Global: A Práxis Decolonial de Cristine Takuá face à Crise Civilizatória
🌊 Vanda Witoto: A Trajetória de uma Educadora Indígenas das Florestas para o Mundo
🌊 O Papel do Documentário Independente na Denúncia da Devastação Ambiental em Mianmar
🌊 A Gênese do Direito Ambiental: Do Controle de Fumaça à Tutela Penal da Biosfera
A Rota do Ar Limpo: Do Legado de Londres de 1952 à Criminalização do Ecocídio em Haia
O Grande Nevoeiro de Londres (1952), a Lei do Ar Limpo de 1956 e o Ecocídio
Mulheres Indígenas Educadoras
Hitxá Pataxó (Adriana Pesca) — Professora atuante nas escolas indígenas das redes municipal e estadual, poeta, pataxó, mãe, apaixonada por leitura, escrita e nomadismo.
“É formada na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), é professora atuante nas escolas indígenas das redes municipal e estadual, poeta, pataxó, mãe, apaixonada por leitura, escrita e nomadismo. Licenciada em História, Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena, Especialista em História e Cultura afro-brasileira e africana, pós-graduada em Ensino e Relações Étnico-Raciais. Participa do Grupo de Pesquisa em Linguagem, Poder e Contemporaneidade – GELPOC.” Fonte: Cultura em Mairinque e Região.
Hitxá Pataxó: A Escola como Instrumento de Dignidade e Florescimento Cultural
Para a professora Hitxá Pataxó (nome étnico de Adriana Pesca), a Educação Escolar Indígena transcende o mero ensino formal, sendo um poderoso instrumento de luta e uma profunda reverência à cultura ancestral de seu povo, o Pataxó do Território Indígena de Coroa Vermelha. Hitxá define a educação como um “lugar de florescimento, de se encher de saberes e transbordar para o outro”, e a utiliza como arma essencial na resistência contemporânea pela dignidade e existência dos povos indígenas. Sua atuação profissional é marcada pela convicção de que levar adiante a luta iniciada pelos antepassados — utilizando o lápis e a caneta no lugar do arco e flecha — é um dever para garantir os direitos, a afirmação identitária e a preservação das tradições Pataxó.
Literatura, Corpo e Saberes Ancestrais
Hitxá Pataxó e o Festival TRANÇA: A Expansão Indígena da Arte e do Conhecimento
O Festival TRANÇA de 2023, promovido pelo canal Tomar Corpo, reuniu pesquisadoras, autoras e detentoras de tecnologias ancestrais para expandir a visão sobre arte, vida e literatura, priorizando o conhecimento a partir de “esquemas corporais diversos e suas múltiplas inscrições”. O evento contou com a participação da professora Adriana Pesca Pataxó (Hitxá Pataxó), ao lado de importantes figuras como Auritha Tabajara e Trudruá Dorrico. O foco da discussão foi abrir espaço para o conhecimento indígena e sua relação intrínseca com a ancestralidade e a experiência de vida, enriquecendo o debate literário e artístico contemporâneo.
Poéticas e Narrativas Indígenas: Despertando as Raízes da Resistência
Hitxá Pataxó e a Força da Ancestralidade em “Quem Não Pode com a Formiga, Não Assanha o Formigueiro”
A professora Adriana Pesca (Hitxá Pataxó), uma intelectual indígena Pataxó com vasta formação acadêmica — incluindo Licenciatura Intercultural em Educação Escolar Indígena e pós-graduação em Ensino e Relações Étnico-Raciais —, promoveu em abril de 2023 no Museu das Culturas Indígenas a oficina “QUEM NÃO PODE COM A FORMIGA, NÃO ASSANHA O FORMIGUEIRO | Poéticas e narrativas indígenas”. A iniciativa teve como objetivo central trabalhar as poéticas e narrativas ancestrais, explorando suas formas de oralituras e escrituras como ferramentas vitais de fortalecimento, resistência e luta dos povos originários. O evento foi descrito pelos participantes como um momento de “amor, generosidade e conexão com a força da ancestralidade,” funcionando como um despertar das raízes e uma poderosa forma de resistência contra os processos coloniais.
Para a professora Hitxá Pataxó, educação é reverência à cultura ancestral e instrumento de luta. Fonte: Jornal Osollo
Fonte: Jornal Osollo
Link: https://osollo.com.br/para-a-professora-hitxa-pataxo-educacao-e-reverencia-a-cultura-ancestral-e-instrumento-de-luta/
Por: OSollo/Ascom
Data: 6 de outubro de 2021
“… Para a professora Hitxá Pataxó, educação é reverência à cultura ancestral e instrumento de luta

Adriana Pesca ou Hitxá Pataxó, como se autodenomina etnicamente, tem na educação um “lugar de florescimento, de se encher de saberes e transbordar para o outro”. É neste compasso que a professora indígena da etnia Pataxó, pertencente ao Território Indígena de Coroa Vermelha, construiu sua trajetória profissional na Educação Indígena. No Colégio Estadual Indígena Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, no Sul baiano, a educadora exerce a sua vocação educacional, somada às lutas afirmativas da identidade étnica de seu povo.
“Educação escolar indígena é lugar de protagonismo e autodeterminação, embora tenha como nascedouro um processo colonial repleto de violências, que se tornou hoje um lugar de fortalecimento de nossas lutas diárias”, reflete a professora Adriana, carregando em si a convicção de que, em 16 anos de experiência docente, a defesa pelo protagonismo estudantil nas vozes indígenas é a base do processo de ensino e aprendizagem. Desse modo, ela busca estimular seus alunos a assumirem a autoria das produções de seus povos, produzindo saberes por meio de sua cultura e dos processos de interculturalidade e que estes sejam tão valiosos quanto os saberes considerados universais.
A sua proposta em sala de aula, revela, “é que os estudantes se apropriem dos mecanismos e técnicas ocidentais, como a escrita alfabética, e desenvolvam com potência a produção textual, a leitura crítica e o poder de enunciação. A escrita, portanto, deve ser como uma flecha certeira e ligeira e que possa deixar a marca de um povo que existe e resiste como povos originários”, discursa. Através do incentivo à autoria indígena, Adriana luta para que a sociedade compreenda que os indígenas são responsáveis por escrever a própria narrativa e que não é a verdade do colonizador.
A paixão pelas letras começou desde muito cedo, quando ainda não conseguia sequer decodificar os códigos linguísticos. O pai, homem de pouca escolaridade, a presenteou com um gibi, marcando seu gosto pela leitura. Foi naquele momento que ela começou a construir suas primeiras narrativas. “Meus pais cursaram apenas as séries iniciais. Aprenderam a ler e escrever, mas não concluíram os estudos. De família humilde, minha mãe indígena da etnia Pataxó e meu pai, homem negro, muito cedo precisaram trocar os livros e cadernos pelo labor diário. Embora não tenham tido tantas oportunidades, sempre acreditaram que somente por meio do conhecimento e da escolarização seria possível que os filhos tivessem uma vida menos dura, de modo que tornaram os estudos uma prioridade para meus irmãos e eu”, relata.
A sua caminhada ancestral a inspirou a uma trajetória ligada ao retorno às suas raízes. “Durante nossa vida escolar, devido às dificuldades de acesso à escola no local onde morávamos, meu pai optou por sair da aldeia e ir morar num distrito próximo, onde havia escola. Por isso, passamos parte significativa de nossas vidas em ambiente externo à aldeia, retornando sempre para visitar meus avós maternos. Esses caminhos de retorno, sempre me reconectavam com a minha cultura ancestral”, conta Adriana, licenciada em História e em Intercultural em Educação Escolar Indígena, respectivamente, pela Faculdade Santo Agostinho (FACSA) e pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), além de especialista em Ensino da Cultura Afro brasileira e Africana e, atualmente, mestranda em Ensino e Relações Étnico-raciais pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
Ser educadora para Adriana também não está dissociado do ser mulher indígena, com todo o potencial transformador de sua coletividade. “Represento, portanto, um coletivo de vozes, de lutas e de territorialidades, cuja força maior foi fincada, como raiz, por quem veio antes e deixou um caminho de lutas iniciado. É meu dever levar adiante essa luta, apontando para os universos possíveis que, com a educação e pela educação, somos capazes de vislumbrar. Educação Escolar Indígena é um instrumento de luta pela dignidade de nossas existências, forjadas na luta e na sobrevivência, para que possamos contar a nossa própria história, buscando respeito aos nossos saberes, cultura e diversidade”.
Além das Fronteiras: Conexões Globais sobre o Ecocídio
As postagens em destaque revelam dimensões inéditas do ecocídio: das lutas dos povos originários no Brasil às disputas jurídicas internacionais, passando por dados, histórias e reflexões que raramente chegam ao grande público. Navegue pelos conteúdos abaixo e descubra análises exclusivas que a Revista Digital Ecocídio preparou para ampliar seu olhar sobre um dos maiores desafios do nosso tempo.
🌊 Epistemologias Emergentes e o Sul Global: A Práxis Decolonial de Cristine Takuá face à Crise Civilizatória
🌊 Vanda Witoto: A Trajetória de uma Educadora Indígenas das Florestas para o Mundo
🌊 O Papel do Documentário Independente na Denúncia da Devastação Ambiental em Mianmar
🌊 A Gênese do Direito Ambiental: Do Controle de Fumaça à Tutela Penal da Biosfera
A Rota do Ar Limpo: Do Legado de Londres de 1952 à Criminalização do Ecocídio em Haia
O Grande Nevoeiro de Londres (1952), a Lei do Ar Limpo de 1956 e o Ecocídio
-
Ecocídio4 anos atrás🌊 Margaret Mead: Pioneira da Antropologia e a Essência da Compaixão na Civilização
-
Amazônia & Florestas Brasileiras3 anos atrás🌊 Marina Silva (Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima): Ministra do Meio Ambiente (2003–2008) e Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima de 2023 a abril de 2026 – Governo Lula
-
Ana Maria Primavesi2 anos atrás🌊 As principais realizações, ideias, técnicas e contribuições de Ana Maria Primavesi para a agroecologia no Brasil
-
Indígenas3 anos atrás🌊 Ailton Krenak: “O Campeonato do Fim do Mundo” e o Ecocídio da Terra-Mundo
-
Amazônia (Dinâmico)3 anos atrás🌊 Rachel Carson: Lenda da Ecologia, Bióloga e Escritora Pioneira, e o Legado Científico que Fundamentou a Luta contra o Ecocídio.
-
Crimes Ambientais8 meses atrásO Desastre de Seveso (1976): Causas, Impactos e o Despertar da Vigilância Industrial
-
Biomas Brasileiros3 anos atrás🌊 Roberto Berlinck (USP) e seu impacto na indústria de fármacos e cosméticos ao explorar o potencial de organismos marinhos
-
Ana Maria Primavesi4 anos atrás🌊 José Antonio Lutzenberger — Secretário Nacional do Meio Ambiente (15 de março de 1990 a 23 de março de 1992)
